sábado, 4 de fevereiro de 2012

Tabajara do Samba


Bahianas e ritmistas da Portela: tem candomblé no samba
Foto: Simone Marinho / O Globo


A Tabajara do Samba estará totalmente dentro do enredo!

Para homenagear as festas baianas,  a escola de Oswaldo Cruz entrará na avenida com um ritmo a mais para embalar seus componentes. Além das tradicionais batucadas de samba, o candomblé vai dar o tom de uma das “paradinhas” que os 300 ritmistas da azul e branco apresentarão na Marquês de Sapucaí, a fim de encantar público e jurados.

A ideia é de mestre Nilo Sérgio, diretor da bateria portelense, que desde os oito anos de idade respira as crenças e as músicas características da religião afro-brasileira.

- Sou de família baiana e, quando soube que o enredo seria sobre a Bahia, logo pensei em incluir bossas do candomblé, por ser uma religião muito cultuada pelo povo de lá e também por proporcionar uma batida diferente. Como a letra do samba permitia essa mistura de ritmos, vamos brincar com a melodia e dar uma pegada mais cubana ao desfile – explica o jovem Mestre Portelense.

Para tanto, a tarefa de inserir o ritmo de candomblé na bateria da Portela não exigiu muito esforço de Nilo Sérgio. Com a ajuda de uma tumbadora, instrumento semelhante ao atabaque, muito utilizado nas festas de terreiro na Bahia, ele arrancou o som que queria logo nas primeiras tentativas:

- Como frequento candomblé desde pequeno, foi fácil assimilar o som, mesmo com um instrumento que não estou acostumado a usar. E os ritmistas também pegaram a batida fácil, já que a maioria deles curte uma macumba. Aliás, qual o sambista que nunca pisou num terreiro?, confessa Nilo Sérgio.

Jane Carla, coordenadora da ala de baianas da Portela há oito anos, fez uma revelação:

- Por duas vezes, tentei largar o samba. Sempre fico preocupada com o que os evangélicos vão pensar de mim e não é uma situação confortável ouvir essa batida de macumba. Os pastores não aceitam essa minha escolha de continuar desfilando, mas a respeitam, que é o mais importante – afirma Jane.

E ainda diz que por amor à escola vale qualquer sacrifício:

- Na ala de baianas tem muita gente que é de centro, mas muitas delas são evangélicas e católicas também. Como tenho a Portela como um trabalho e já vi que não adianta eu ficar de fora se o meu coração é portelense, vou para a avenida mais uma vez. É difícil, mas faço tudo por amor.

Verificamos que o mais importante de tudo é o SER PORTELA!

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